quarta-feira, 17 de junho de 2009

Indígenas no 11º Salão do Livro para Crianças e Jovens

Posted by Miss K. 6/17/2009, under | No comments


Quem disse que índio quer só apito?Lá no Salão do livros eles também tiveram seu dia...

>>>>> Fato curioso: um indígena estava lançando um livro (não, ele não estava aremessando livros na criançada hehehe)... uma das crianças no auge de sua "lucidez infantil" solta essa: Ué...índio não anda pelado?Esse tah de roupa....

É pessoal, criança é fogo...kkkkkkkkkkk

Salão FNLIJ festeja uma semana com o VI Encontro de Autores Indígenas

O sétimo dia do Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens foi marcado pelo VI Encontro de Autores Indígenas. O seminário é um dos pontos altos do evento e, nesta edição, contou com a presença de representantes de mais de 20 populações indígenas. Índios, educadores e curiosos encheram o auditório para escutar os depoimentos dos principais nomes da literatura e das artes destes povos, além de interagirem um pouco mais com a sua cultura.

Após o ritual de apresentação, no qual os convidados dançaram e cantaram em uma grande roda, o encontro começou com o tema "Caminhos da Memória”. Nomes como Marcos Terena, Graça Graúna, Severiá Idioriê e Ely Macuxi falaram sobre memória, oralidade e literatura. Para Marcos, o fato de os indígenas não terem o costume de ler é o maior desafio para que a literatura desses povos seja desenvolvida. “Por que o índio vai ler na sua língua, se ele pode ouvir? O índio tem a capacidade de falar e de escutar de verdade, porque ele faz isso com o coração”, afirmou o líder.

Por outro lado, a professora Severiá chamou a atenção para a importância da literatura na conservação dos valores indígenas. “A literatura escrita é consequecia da fala, é uma forma de recriar as memórias e as histórias dos antepassados. Quem escreve tem que fazer a criança ter prazer de ler, para que isso se torne uma memória”.

O último debate da manhã contou com a presença de Eliane Potiguara, Siridiwê Xavante, Luciana Kaingang e Xohã Karajá Além de reafirmar conceitos como a memória e a oralidade, os palestrantes falaram sobre difundir a cultura indígena através das artes. Xohã comentou sobre o papel dos símbolos para instituir os clãs, enquanto Luciana defendeu a importância de manifestações artísticas como o canto, a dança e os rituais. “Nosso alfabeto é muito mais complexo do que o romano. Por isso, o teatro, o desenho e o artesanato são importantes para espalhar memórias e histórias”.

A segunda parte do seminário, iniciada às 14h, apresentou um tema bastante contemporâneo: “Como os indígenas têm buscado atualizar a memória a partir das novas tecnologias”. Alex Pankararu surpreendeu a platéia ao mostrar a rede social, existente há cerca de cinco anos, Índios Online (www.indiosonline.org.br) em que 21 povos indígenas registrados usam esta plataforma para trocar informações e preservar as suas tradições e cultura.

“O Índios Online é a nossa oca digital, uma mídia livre dos povos indígenas para mantermos o diálogo intercultural entre índios e brancos também. Neste espaço os próprios índios, que chamamos de etno-jornalistas, contam suas histórias de seus jeitos, sem modificações”, conta Pankararu.

Já Isabel Taukane, da etnia Kura Bakairi do Mato Grosso, usa a tecnologia a serviço de seu trabalho como “rastreadora”. Primeira índia formada em Comunicação Social no Brasil, Isabel desenvolveu o Círculo dos Saberes Indígenas depois de freqüentar, por três anos seguidos, o Projeto Pegadas Brasil, um braço da ONG The Tracking Project. Círculo dos Saberes é um projeto que resgata as tradições indígenas ao abordar a consciência cultural e o respeito à natureza entre os povos indígenas do Mato Grosso. O Círculo promove encontros de congraçamento em que são apresentadas as grafias, ornamentos, mitos e cerimônias de cada população.

Já o líder xavante Caimi Waissé contou a sua experiência pessoal com a descoberta de tecnologia e como ela não é mais tão distante das aldeias como em sua época de criança. “Quando pequeno, uma antropóloga americana chegou à minha aldeia com uma filmadora. Nós, crianças, estranhamos muito aquela mulher que olhava tudo através de lente e, inclusive, suspeitávamos que ela poderia ser um robô. No entanto, a partir desse primeiro contato,fui desenvolvendo a minha curiosidade e a vontade de aprender”.

A antropóloga deixou na aldeia algumas câmeras para que os índios registrassem o seu cotidiano. Hoje, a ONG Vídeo nas Aldeias já forma jovens indígenas para trabalharem como cineastas.

Caimi Waissé encerrou a apresentação com um canto xavante e com a apresentação de um documentário produzido pela ONG.


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Até a próxima!


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