sábado, 24 de janeiro de 2009

A história triste dos pés pequenos - Chinese Foot Binding

Posted by Miss K. 1/24/2009, under ,, | 3 comments



Já há muito tempo que tinha ouvido falar da triste tradição das mulheres chinesas, enquanto crianças, partirem os ossos dos pés dobrando-os para dentro de modo a que parassem de crescer...
O pé pequeno era sinónimo de graça e beleza para as antigas sociedades chinesas e só no início do século passado é que deixou de ser uma prática comum.
As mulheres chinesas são reconhecidas em todo o mundo por ter pés pequenos, mas na verdade o que era para ser beleza na verdade era tortura.





As mulheres chinesas usavam nas pernas e pés tiras de pano (as meias ainda não eram conhecidas por eles).
Tornando-se moda os pés pequenos, as tiras foram sendo apertadas cada vez mais até chegarem a dobrar os dedos dos pés para baixo, que eram metidos em sapatos curtos e estreitos. Era uma tortura para as jovens chinesas terem os pés pequenos, por isso que existe a "lenda" que as mulheres chinesas tem os pés pequenos, e com o tempo essa obrigação foi desaparecendo. E as mulheres chinesas se orgulham de terem esse os pés pequenos!!!




Os pés pequenos para os chineses era um sinônimo de beleza, pois se uma mulher não tivesse pés pequenos ela era considerada feia, e nunca casava. Mais tudo isso era uma questão de moda da época.





"Trata-se de algo bem mais real e doloroso e que chegou a ser feito por dois bilhões de mulheres chinesas ao longo dos últimos mil anos: a bandagem dos pés.
Essas mulheres — conhecidas como ‘pés pequenos’ ou ‘pés de lírio’ — quebravam quando jovens os ossos do pés e os enfaixavam dobrando para dentro os dedos de modo que parassem de crescer. O pé pequeno era sinônimo de graça e beleza nas antigas sociedades chinesas e a cultura foi sendo abandonada apenas após o ocaso da Dinastia Qing, no início do século passado.

Sapatinhos bordados e ossos quebrados ...

Impressionado com essa história, o fotógrafo chinês Li Nan, 44 anos, iniciou, há 24 anos, o registro fotográfico da última geração destas mulheres, todas acima dos 70 anos, representantes de uma era onde a cultura da beleza era mutiladora.




— Minha avó era uma mulher de pés pequenos e aquilo, curiosamente, era tratado com normalidade pela minha família. Mas eu me sentia profundamente perturbado por aqueles pés retorcidos, uma espécie de destino doloroso e cruel ao qual as mulheres mais velhas estavam fadadas com resignação — conta Li. — Então fui reunindo trabalhos ao longo dos anos até que, agora, decidi expor a história desta cultura da dor em nome da beleza. Algo que não se aceita mais na China.


E a exibição ‘A última geração das mulheres de pés de lírio na China’ impacta e confunde ao misturar imagens tocantes de idosas de pés minúsculos ornamentados por sapatinhos bordados (que mais parecem de bonecas) e o horror das imagens de raios-X dos ossos quebrados e virados, a carne retorcida e ferida.


A estética em preto-e-branco e as imagens da dor lembram muito o trabalho do brasileiro Sebastião Salgado. Ao mencionar o nome, o rosto de Li Nan se ilumina:
— O trabalho de Sebastião Salgado me inspira, certamente. Sinto a influência dele, como de outros fotógrafos, como a americana Mary Ellen Mark ou o francês Raymond Depardon — diz Li.


O olhar meio jornalístico, meio artístico de Li Nan de fato alinhava a mostra, repleta de cenas do cotidiano. Há ali imagens perturbadoras, como os últimos três anos de vida de Zhao Yongji e das cinco gerações de sua família, até ela morrer, sempre amparada pela filha, aos 102 anos, em 1996. Ou a vila com cerca de 300 mulheres de pés pequenos, que confraternizam com danças e kung fu coletivos numa pequena cidade da província de Yunnan. Ou ainda a tocante visita de quatro mulheres de pés pequenos do interior da China a Pequim, pela primeira vez em suas vidas, em 2001.


— Uma das coisas que mais impressiona é como esta mutilação ia aos poucos transformando as mulheres em deficientes físicas à medida em que envelheciam, porque os pés pequenos já não tinham força e o corpo, equilíbrio para movimentar-se — conta Li.

Formado em belas artes no Instituto de Arte da província de Shandong e fotojornalista de prestígio na China, Li Nan possui um trabalho curiosamente ligado a temas que ele mesmo define como ‘histórias de gente que não teve escolhas a não ser administrar da melhor forma possível o esforço ou a dor’. São trabalhos sobre crianças cegas em Jinan, carregadores de minério em Shanxi ou jovens da escola de acrobacia de Shandong.


— Sou atraído pelos que não tiveram escolha. Acho que é um reflexo da minha história pessoal — conta o fotógrafo.

Quando Li ainda era pequeno, seu pai, um engenheiro e intelectual em Shandong, foi objeto das campanhas de reeducação comunista da Revolução Cultural e mandado fazer trabalhos manuais numa usina termelétrica. A perseguição e o choque das humilhações levaram o pai de Li Nan à loucura e sua mãe, a uma depressão incurável"
Fonte:
www.observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=336ASP027

3 Comentários:

Menina que eh isso com os pes das chinesas...estou tramatizada..quanta ignorancia..
bju

Salam Claudia!

É triste demais ver o quanto as mulheres sofriam e ainda sofrem nas mais diversas culturas, tudo em nome de uma suposta "estética" machista!!!

Pés das chinesas, africanas-girafas, extirpação do clitóris... é tanta barbaridade!!!!

E o pior é que, guardada as devidas proporções, a história hj em dia é a mesma: mulheres se mutilando e modificando o corpo para se tornarem mais "apetitosas".
E haja silicone, botox, plástica,depilação,megahair...

Nesse ponto eu admiro muito tua religião. É muito bom não ser cobrada pra ter um bundão, um peitão... os muçulmanos sabem das coisas, Alhamdulilah ;)

E teu blog tá um SHOW de cultura, nota DEZ !!!!

Vou ler as outras postagens com calma... poxa, mas eu tô curiosa com as fotos do Ganges que nunca abrem!
Manda p meu gmail, pls!

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