Quando um brasileiro dá o apelido de "Turco" para um conhecido, a maior parte das vezes essa pessoa tem nome árabe. Por razões históricas, a estatística indica que quase certamente esse sobrenome árabe é de origem sírio-libanesa; mais das vezes, se trata de um descendente de imigrantes libaneses (cerca de 3 milhões só na Grande São Paulo).
Turcos são povos originários do Centro da Ásia, de onde migraram para o sudoeste (em direção à Ásia Menor e aos Bálcãs) ao longo dos primeiros séculos do segundo milênio da era Cristã (de 1100 a 1500). Em sua longa jornada, se converteram ao Islamismo, e conquistaram os países que eram dominados pelos árabes, um vasto império que decaiu a partir do Renascimento, até restar apenas com o território da Ásia Menor, atual Turquia.
Os libaneses que vieram para o Brasil no final do século 19 são predominantemente cristãos, árabes que não se converteram ao islamismo, que formam uma população descendente dos povos que habitavam o território que na antiguidade era o berço dos fenícios.

Mas por que os brasileiros chamam de "turco" os descendentes de libaneses se há uma distância tão grande entre esses povos?
Porque os libaneses que vinham para o Brasil viajavam com documentos dados pelo seu país de origem, a Turquia, o Império Otomano, com capital em Istambul.

Os antigos impérios tinham a característica de manter dentro de suas fronteiras povos diferentes. Não passava pela cabeça de um monarca otomano imaginar que seus súditos egípcios tivessem que ter a mesma cor, etnia, língua, religião que os povos originalmente turcos. Os árabes do Iêmem, por exemplo, súditos do Império Otomano até o começo do século 20, mantiveram por séculos a língua árabe e seus hábitos culturais tão diferentes dos turcos de Meca. O mesmo ocorreu com os curdos do Iraque, com os Armênios, os judeus de Sarajevo etc etc e tal. Isso valia para os súditos árabes, turcos, assírios, eslavos, gregos, negros etc. Os impérios eram organizações plurais, do ponto de vista demográfico.
O que ocorria com o Império Otomano ocorreu antes com o Império Romano: não passava pela cabeça de um imperador romano que todos os povos de Roma tivessem que ser homogêneos. Adotava-se o latim para funções de Estado, aprendia-se o latim nas melhores escolas e ele era uma forma de inclusão na elite. Mas como súditos de Roma, os judeus de Jerusalém seguiam falando seu aramaico no dia-a-dia ou hebraico nas funções religiosas. Os súditos romanos na Grécia seguiam falando grego e estudando no original os livros de Homero. Sem no entanto perder os direitos à cidadania romana, uma espécie de contrapartida pelos impostos pagos à coroa.
Voltando três parágrafos para trás, os cidadãos “turcos” do século 19 eram os que viviam sob as fronteiras do império turco, chamado Otomano, fossem libaneses, egípcios, iemenitas, curdos, armênios etc. Como milhares de libaneses vieram para o Brasil, com seu passaporte turco, na época, ganharam esse apelido.
Fonte:
http://leao.blig.ig.com.br/2008/08/o-nacionalismo-como-a-tpm-e-criacao-da-cultura-moderna.html

1 Comentários:
Eu tenho um ramo da familia que até poucos anos atrás eu jurava que eram turcos,hahahaah, pq sempre são referidos como tal! Mas não é que são sírios-libaneses cristãos? ;)
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