
Na última postagem escrevi sobre o Sati (Sutee) indiano, que para nós ocidentais para uma prática absurda e difícil de entender. Por isso vou colocar aqui outras cerimônias tão estranhas quanto o Sati.
Auto-Mumificação Budista
A auto-mumificação foi prática corrente entre um pequeno grupo de monges budistas do norte do Japão conhecidos como Sokushinbutsu. A fim de alcançar o status de Buda, os monges tiravam sua própria vida através de um processo de automumificação.
"A disciplina, organização e objetivo em uma vida é algo admirável. Mas em algumas situações esses aspectos podem atingir uma dimensão estranha e peculiar. A preparação do próprio corpo para a morte, mais especificamente para a própria mumificação.
Alguns monges budistas praticam o que é conhecido como Sokushinbutsu, um ritual no qual o monge durante anos faz uma dieta especial para diminuir a quantidade de gordura corporal, comendo apenas sementes e nozes. O procedimento também inclui a ingestão de cascas de árvore e raízes específicas, e de um chá venenoso feito da casca da árvore Urushi, para provocar vômitos e apressar a perda de líquidos do corpo.

Algumas fontes indicam também que os monges ingerem uma dieta rica em arsênico. O arsênico, se ingerido em pequenas quantidades, lentamente envenena os tecidos corporais. Esses níveis altos garantem uma preservação do corpo por impedir o ataque dos tecidos pelos microorganismos e larvas envolvidos no processo de putrefação. Esse tipo de preservação por arsênico também ocorre em alguns casos de suicidas que utilizam este método de envenenamento.
O procedimento é tão elaborado e complicado que não passam de duas dezenas o número de monges que obteve sucesso com a técnica."
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Por um período de três anos o monge se alimentava de uma dieta especial composta somente por nozes e sementes, acompanhada por um programa de atividades físicas rigorosas. Esse período visava acabar com toda a gordura de seu corpo.Nos próximos outros três anos ele se alimentava somente de cascas de árvores e raízes e tomavam um chá venenoso feito da seiva da árvore de Urushi, que contém urushiol, substancia normalmente usada para embeber a ponta de lanças e flechas.

Esse processo causava fortes vômitos e a perda sistemática dos fluidos corporais.Finalmente o monge se trancava em uma tumba de pedra, pouco maior que seu corpo, onde permanecia imóvel na posição de lótus. Sua única conexão com o mundo exterior eram um tubo de ventilação e um sino.
À cada dia ele tocava o sino uma vez. No dia que o sino não tocasse, seus amigos saberiam que ele estaria morto.
O processo longo e doloroso requeria muito de seus praticantes, mas nem todos tinham sucesso no fim.

Algumas tumbas, quando abertas, conservavam apenas o corpo apodrecido de seu hóspede.
O governo japonês tentou proibir a prática no fim do século 19, mas ela continuou no século seguinte. Hoje a prática é proibida.
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